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O que é Risco Brasil e como ele afeta seus investimentos?

13 de outubro de 2023
Escrito por Guide Investimentos
Tempo de leitura: 11 min
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Como investidor, você deve conhecer e analisar os tipos de riscos aos quais o seu capital pode estar exposto. Assim, fica mais fácil manejá-los para montar uma carteira de investimentos com mais segurança, caso seja do seu interesse.

Nesse contexto, quem investe no território nacional precisa saber o que é risco Brasil. Como ele afeta todo o ambiente econômico brasileiro, pode gerar impactos significativos no seu portfólio que devem ser considerados.

Para você entender melhor os efeitos desse conceito, este artigo apresentará o que é o risco Brasil, quais fatores o influenciam e como ele afeta os seus investimentos. Não perca!

O que é o risco Brasil?

O risco Brasil, ou risco país, é um indicador que apresenta o nível de instabilidade econômica, financeira e política de uma nação. Ou seja, ele está relacionado às condições que o mercado brasileiro tem de cumprir com os seus compromissos financeiros.

Ele é bastante utilizado pelos investidores (brasileiros e estrangeiros) que desejam avaliar o perigo de investir no Brasil. Se o risco é alto, significa que o país está mais suscetível a enfrentar problemas financeiros. Logo, quem investe precisa ter mais cuidado e analisar melhor as possibilidades de retorno.

Já um baixo risco indica que a economia brasileira está mais sólida, e as chances de o país se tornar inadimplente são menores. Nesse contexto, vale ressaltar a relação entre risco e retorno, pois a rentabilidade costuma ser proporcional ao risco de um investimento.

Com isso, investimentos menos arriscados tendem a ter rentabilidade menor. Então investidores com perfil arrojado, por exemplo, podem preferir investir em países que tenham um grau elevado de risco em busca de uma maior oportunidade de lucrar.

Como é calculado o risco Brasil?

Outro ponto importante que você deve saber sobre o risco Brasil é a maneira como ele é calculado. Apesar de existirem diferentes formas de obter um resultado, normalmente o indicador considera diversos fatores.

Contudo, você não precisa calcular o risco Brasil por conta própria, pois existem agências de classificação de risco e instituições financeiras que fornecem esse resultado.

Veja quais são as metodologias de cálculo mais comuns!

Rating

O rating é um sistema de notas gerado por agências especializadas em classificação de risco, como a Standard & Poor’s (S&P), Moody’s e Fitch Ratings. Cada uma delas possui seu próprio método de análise, definindo uma nota que vai de AAA a C/D.

Essas agências analisam diferentes ativos, empresas e países. Quanto maior a nota obtida, mais alta costuma ser a capacidade de o país honrar com seus compromissos financeiros. Se a nota for baixa, próximo a C/D, o risco é mais elevado.

Um país com a nota Ba2, por exemplo, está enquadrado no grau especulativo. Ou seja, a nação tem um risco moderado de calote, pois está a apenas a duas classificações de se tornar um local com alta qualidade de investimento.

EMBI+

Já o EMBI+ (emerging markets bond index plus) é um indicador que mede o risco de países emergentes, como o Brasil. Geralmente, essas nações são mais arriscadas do que as desenvolvidas, por isso, elas costumam apresentar maior potencial de retorno.

O cálculo do EMBI+ é feito pelo JP Morgan, empresa líder global em serviços financeiros. A fórmula considera as taxas de juros de títulos dos Estados Unidos. Assim, é obtido o spread — uma espécie de vantagem que será oferecida nas aplicações dos países emergentes.

CDS

Entre os indicadores de risco mais conhecidos e utilizados está o CDS (credit default swap). Trata-se de um tipo de contrato que remunera o investidor caso o país emissor do título não consiga honrar as suas obrigações financeiras.

O CDS é calculado por seguradoras conforme o risco oferecido pelo Governo. Logo, é possível utilizá-lo como base para identificar o risco Brasil, pois quanto maior o resultado, mais arriscado costuma ser o investimento.

Quais fatores econômicos influenciam o risco Brasil?

Como você viu, diversos fatores econômicos afetam o cálculo do risco Brasil. Agora, é hora de entender melhor como eles influenciam o nível de instabilidade econômica, financeira e política do país.

Acompanhe!

Taxa de juros

A Selic é a taxa básica de juros da economia brasileira e tem relação direta com o risco Brasil. Quando ela está baixa e a inflação se mantém controlada, o crédito fica mais acessível e a população tende a consumir mais.

Esse processo também costuma levar à redução nas chances de calote. Se a produtividade do setor industrial é favorável e as empresas conseguem acompanhar a demanda do mercado, o cenário econômico melhora e o risco Brasil fica menor.

Câmbio

A taxa de câmbio costuma acompanhar os níveis registrados para o risco Brasil. Em geral, quando o risco país diminui, a tendência é o câmbio se valorizar — e o contrário também pode ocorrer.

Vale saber que a variação no câmbio pode ter relação com interferências relacionadas à política interna de um país. Além disso, ela sofre alterações por fatores externos, como crises.

Déficit fiscal

De modo geral, o déficit fiscal é a dívida pública acumulada. Esse fator é essencial para a pontuação do risco Brasil, pois o endividamento indica o quanto o país tem dificuldade para superar crises e movimentar a economia.

Ainda, é importante pensar na relação entre dívida e PIB (Produto Interno Bruto). Esse indicador se mostra crucial para o mercado financeiro. Afinal, ele funciona como um sinal da capacidade do país de honrar seus compromissos monetários de curto, médio e longo prazo.

Quanto menor a dívida em relação ao PIB, mais baixo é o risco de um calote em momentos de crise. Portanto, a confiança dos investidores começa a melhorar quando o mercado passa a apresentar receitas maiores e redução nos gastos. Isso indica um crescimento sustentável que impulsiona índices melhores.

Cenário político

O cenário político nacional é responsável por influenciar os principais riscos de um país. As incertezas nesse contexto geram diversas instabilidades no mercado financeiro.

Assim, tanto as pautas discutidas quanto as medidas adotadas pelo Governo afetam a economia e transformam a percepção dos investidores. Por exemplo, turbulências políticas relacionadas a escândalos ligados à corrupção pressionam a movimentação dos números e resultam em riscos maiores.

Como o risco Brasil impacta a economia e os investimentos?

Até aqui, você conheceu o conceito e os fatores que influenciam o risco Brasil. Logo, você aprendeu que diversas questões ligadas à economia e à política podem impactar os investimentos de um país e causar volatilidade no mercado financeiro.

Mesmo que esse indicador seja baseado nos títulos soberanos nacionais, a maior ou menor chance de o país se tornar inadimplente impacta a economia e os investimentos. Então quando o risco é maior, é comum observar a fuga de capital estrangeiro do mercado nacional.

Se isso acontece, a taxa de câmbio tende a aumentar e o real desvaloriza, contribuindo para o crescimento da inflação. Para evitar o aumento contínuo e generalizado dos preços, o Governo normalmente eleva a taxa básica de juros, o que tende a reduzir a atividade empresarial.

Como consequência da alta dos juros, o crédito se torna menos acessível e as pessoas físicas e jurídicas evitam tomar empréstimos e financiamentos. Esse movimento também impacta os investimentos de renda fixa — e o retorno dos títulos dessa classe se torna maior.

Já a maior rentabilidade dos investimentos de renda fixa pode fazer os investidores migrarem para essa classe, gerando perdas nos ativos de renda variável. Com taxas de juros mais altas, ainda é esperado que as empresas comecem a arrecadar menos.

Como forma de manutenção das suas atividades, elas podem realizar cortes de gastos, o que tende a levar a um aumento do desemprego. Portanto, diante de um cenário de crise, o mercado financeiro sofre impactos e diversos investidores podem ser prejudicados.

Por esses motivos, é fundamental saber fazer uma leitura do cenário macroeconômico. Ao adotar a medida, há chances de mitigar eventuais consequências negativas que as transformações políticas, econômicas e de classificação de risco podem causar na sua carteira de investimentos.

Como mitigar esse impacto na carteira de investimentos?

Já que o risco Brasil pode interferir no seu portfólio, você deve aprender a adotar estratégias para mitigar esses impactos nos seus investimentos. Confira as principais formas de proteger a sua carteira!

Diversificação

A diversificação é uma das principais estratégias para mitigar os riscos de um portfólio. Ela envolve evitar a concentração de capital em um ou poucos investimentos. Para tanto, você deve distribuir seus recursos entre alternativas com diferentes níveis de risco.

Nesse momento, é preciso ter atenção para não pulverizar seu capital em investimentos com características semelhantes. O ideal é escolher alternativas que não tenham correlação positiva e possam apresentar resultados distintos diante de uma mesma condição de mercado.

Dessa forma, mesmo que um investimento apresente resultados ruins em determinado contexto, os ganhos obtidos com os demais poderão compensar os eventuais prejuízos.

Internacionalização

Outra estratégia importante para quem deseja proteger a carteira é a internacionalização. Nesse caso, o investidor deve buscar alternativas com exposição internacional, dolarizadas ou não.

Dolarizar o portfólio significa se expor a investimentos atrelados ao dólar. Isso porque a moeda estadunidense é a mais forte do mercado, sendo bastante demandada no mundo todo. Ademais, o dólar costuma ter correlação negativa com a B3 (a bolsa de valores brasileira).

Portanto, quando a moeda norte-americana ganha força no mercado nacional, a B3 tende a perder pontos. Já quando o dólar cai, o mercado de ações brasileiro costuma apresentar alta.

Assim, o objetivo da internacionalização é não depender apenas das condições da economia brasileira para ter ganhos financeiros. Nesse cenário, ativos internacionais permitem se expor a ambientes diversos, como países emergentes e nações desenvolvidas.

Vale saber que quem deseja internacionalizar e dolarizar a carteira de investimentos não precisa tirar o capital do país. Afinal, existem diversos investimentos que garantem esse tipo de exposição, mesmo no mercado nacional.

Conheça alguns deles!

Fundos internacionais

Os fundos de investimento são uma modalidade coletiva na qual os investidores realizam aportes por meio da compra de cotas de participação. O capital é gerenciado por um gestor profissional, que decide quais investimentos serão feitos, conforme a estratégia do veículo.

Ao se tornar cotista, o investidor deve pagar a taxa de administração, utilizada para remunerar o gestor, e passa a ter direito de participar dos resultados do fundo. Ademais, existem diferentes tipos de fundos de investimentos no mercado.

No caso dos fundos internacionais, a maioria dos investimentos está atrelada ao mercado externo. Logo, o investidor consegue se expor a essas alternativas de uma forma mais simples e sem sair do Brasil.

A estratégia do veículo pode envolver investimentos diversos, como ações, renda fixa e derivativos. As cotas desses fundos são negociadas nas plataformas das instituições financeiras.

ETFs

Os ETFs (exchange traded funds) são fundos de investimento negociados na bolsa de valores. Eles são conhecidos como fundos de índice e apresentam uma gestão passiva, pois o objetivo é replicar um índice da economia.

Para isso, o gestor espelha a carteira do fundo no portfólio que compõe o indicador de referência. Cabe ressaltar que esse índice não se limita ao mercado nacional, havendo ETFs que replicam indicadores internacionais, como o S&P500, um dos principais índices das bolsas de valores norte-americanas.

BDRs

Os BDRs (brazilian depositary receipts) funcionam como um recibo de valores mobiliários. Ao investir nesses certificados, que são negociados na bolsa brasileira, você se expõe a um investimento atrelado a ativos internacionais.

Existem BDRs com lastro em ações, ETFs, títulos de renda fixa, entre outras possibilidades. Portanto, você não tem o ativo, mas sim um certificado que permite ter exposição ao cenário fora do Brasil.

Desse modo, seus resultados dependem da performance dos investimentos estrangeiros. Se eles se valorizarem no exterior, os BDRs também serão valorizados — e vice-versa. Ademais, essa é uma forma de se expor ao câmbio.

Isso porque o preço dos BDRs depende do comportamento da moeda com a qual o ativo original é negociado. Se ela apresentar uma valorização em relação ao real, por exemplo, a cotação do certificado aumenta.

Agora você sabe que o risco Brasil afeta os seus investimentos. Ao considerar esse indicador no momento de montar a sua carteira, você terá uma base mais sólida para estruturar a sua estratégia e proteger o seu capital.

Que tal ajudar seus amigos a conhecer esse conceito e suas implicações no mercado financeiro? Compartilhe agora mesmo este conteúdo nas suas redes sociais!

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